quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Golfinho

            Gosto muito de ouvir crianças de história, ou melhor dizendo, ouvir história de  crianças. Fazer ou responder perguntas aos pequenos sempre traz muita alegria e graça a vida...
            Eu não me recordo quando foi que ouvi essa história do golfinho, nem sei como surgiu na escola que trabalhava, acredito que falávamos de piratas, de navios e de mares, dos sete mares...
            Esta expressão épica, os sete mares, aparece em diversos povos e diferentes épocas, como os gregos que os consideravam compostos pelo: o Adriático; o Arábico; o Cáspio; o Egeu; o Mediterrâneo; o Negro; o Vermelho. Outrossim, entendiam os setes mares como os setes oceanos, ou seja: Oceano Antártico; Oceano Ártico; Oceano Atlântico Norte; Oceano Atlântico Sul; Oceano Indico; Oceano Pacifico Norte; Oceano Pacifico Sul.
Identifico-me muito que essa última explicação vinda dos primeiros europeus ao chegarem a América do Norte para colonização de povoamento...
Estava eu explicando porque se fala de sete mares até hoje, uma ideia antiga, de povo bárbaro que engatinhavam pela ciência moderna e que se locomovia rapidamente de barco...
            Uma jovem de seus 7 anos, cabelos presos em chuquinhas coloridas, três para ser mais exato, disse alegremente:
            – O Golfinho é filho da Baleia com o Tubarão...
            Eu sempre fico na dúvida se a menina usou de esperteza para mudar de assunto, ou de traquinagem, para dizer que a conversa estava cansativa...
            – Como assim? – retruquei sem pestanejar nem ralear como a criança.
            – O Golfinho é meio retardo por isso, vive rindo à toa como o pai, o tubarão, e vive aos pulos nas ondas como a mãe para aparecer, a baleia...
            No fundo, eu sempre achei os golfinhos alegres de mais, de inteligência diferenciada que não os desqualifica em nada, mas se de fato um golfinho fosse o resultado de uma gestação mal sucedida entre a baleia e o tubarão não seria ele a pior espécie dos sete mares. Só me preocuparia com que seria os pais da água viva e da enguia elétrica na difícil missão de educar seus filhos para não queimar nem dar choques nos coleguinhas de natação livre...


Jorge Barboza

Escritor e Colunista Social

domingo, 10 de setembro de 2017

Assassinaram a laranja


            Era um inverno camarada em pleno ABC Paulista, flores despontavam discretamente nas árvores amontoadas de folhas grandes, amontoadas de galhos, sem frutos, folhagens grandes, espessas folhas e folhas verdes, verdes escuras, extremamente verdes. Haviam princípios de primavera, chuvas alternadas, típicos chuviscos, garoas de passagem, nuvens carregadas em cinza, céu anil escondendo seu azul, sol pálido, sol fraco, sol manso que parecia uma lâmpada florescente no teto do prédio de concreto bege, nude escuro, ventos frios, geladas correntes de ar, congelantes brisas que surgiam às vezes fortes e rápidos, às vezes vinham fracos e alongados...
            A paz devia ser a bandeira da estação e a prática do momento se não fosse o anúncio do jornal: “Uma laranja se jogou do 13° andar”. Não era a primeira vez que a manchete trazia a morte de frutas como capa jornalística.
            Nas últimas duas semanas foram acontecendo casos espaçados e esporádicos: o primeiro registrava uma banana encontrada morta por afogamento embaixo de uma das principais pontes de ligação das cidades de Santo André e São Bernardo do Campo em uma manhã vazia; O segundo contava que uma maça perdeu a cabeça atropelada por caminhão em cruzamento da Avenida dos Estados entre os municípios de Santo André e São Caetano do Sul em tarde mais que fria...
            Para mim, tudo soava estranho e bárbaro por demais: uma banana não sai do cacho sozinha, sem salva-vidas para águas profundas, escuras, estranhas e caudalosas; uma maça não atravessaria a rodovia com sinal fechado; uma laranja não cortaria a tela de proteção de uma janela de um certo apartamento e por descuido ou por curiosidade cairia sem precedentes...
            Provavelmente todas as frutas foram agitadas, envolvidas, coagidas, empurradas, pressionadas, instigadas, forçadas, encurraladas...
Foi que a policia revelou depois de pouco tempo, pouca investigação e muita surpresa da população em geral. Uma adolescente com seus treze anos, tinta nos cabelos... passou pelos locais e decidiu aplicar suas teorias de física as frutas pegas desprevenidas. A cada semana, a jovem foi aumentando suas doses de experimento...
Em um depoimento revelador à policia, a adolescente expressou seus fomentos, suas ideias, seus pensares, ela narrava com normalidade como colocou fogo em um broto de feijão com etanol antes de partir para as ruas. Lembrou também que eletrocutou uma beterraba molhada por sua urina no jardim de sua casa.
Seus próximos planos caminhavam para novos testes, agora, só agora, com animais vertebrados de pequeno porte até chegar aos espécimes humanos de grande relevância.
Sem alternativas, os órgãos competentes determinaram o tratamento da jovem em clínica psiquiátrica estadual para conciliação da moral e dos bons costumes com a sociedade...


Jorge Barboza

Escritor e Colunista Social

domingo, 20 de agosto de 2017

É o fim do amor

           Como todo início mês reuníamos em volta dos resultados das vendas para ajustamos nossos planos de vendas, adequar produtos, criar novas estratégias e, consequentemente, desenvolver novas mídias.
            Para surpresa de todos, o amor não vigou nem em sabonete, nem em banho líquido e muito menos em perfume. Na verdade não tinha saído da prateleira e o estrago só não foi maior que não foi produzido em larga escala como seus irmãos...
Cabe aí um adendo, eu chamo de irmãos, todos os produtos que são criados simultaneamente, desde de seu conceito, passando pela alquimia, até ser embalado. Descobri por isso que a palavra “embalamento” não existe no dicionário no sentido de empacotamento, mas sim como “baloiçar, no colo ou no berço, geralmente para adormecer; ato de se drogar; sentir sensação muito agradável; mentir ou dar esperanças ilusórias”. Sendo assim os produtos irmãos possuem os mesmos tipos de processamento, adicionamento, envasamento, não são genéricos, nem mesmos gêmeos parecidos, a proposta deles era outra, a cor, a vibração, enfim, eram taxados e enfrascados, guardados, armazenados, recolhidos de três formas idênticas: banho líquido, perfume e sabonete.
Era o fim do Amor, ele não vendeu como a Prosperidade e a Harmonia, então para o bem maior da empresa, dos associados, dos funcionários, dos consumidores desta e das próximas gerações optamos com grande dor pela mudança do nome do produto...
Não me venha com esse tal de moralismo! Era preciso mudar o nome do Amor, ou jogar tudo fora em questão de dias e por necessidade de armazenamento da nova produção de harmonia e de prosperidade. Acredito que distribuir como brinde para parceiros e possíveis investidores também poderia causar mais mau estar geral.
E com enorme dor no coração, amava o nome e tive um dia de insônia, um mau súbito de não comer, não relaxar, de estresse, sei lá, mais o que... Decidi agora, o Amor passaria a se chamar Paixão e não que deu certo, em uma semana vendemos o estoque todo parado e por conta disso, tivemos que pagar extras na fábrica para produção imediata de novas levas ao mercado que até momento não se deu conta que a Paixão é o mesmo Amor que só mudou de nome sem perder sua característica original, se transforma e se renova em suas três formas e com seus produtos irmãos...
           

Jorge Barboza

Escritor e Colunista Social

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Gabriela Tieta


Quando começarmos a ter problemas, achei que ele tinha um fetiche de coronel e como uma boa Gabriela estava disposta a assumir a personagem de Jorge Amado: Gabriela Cravo e Canela.
Sinceramente prefiro “Tieta do Agreste”, já treinamos o “ípsilone duplo”, este era o papel de uma vida para quebrar a rotina depois de tantas noites frias e quentes...
Como Gabriela, eu tive que aprender: “eu nasci assim, eu cresci assim e sou sempre assim, Gabriela”. Lutava pelo amor que vacilava que faltava às vezes entre nós, eu ainda lutava só pelo nosso namoro, mas o coronel não quis ir embora e cada noite ele deixava claro seu posicionamento ao dizer: “Vá se lavar que vou te usar hoje”.
O coronel acabou com nosso amor, nossos encontros, minha canela, meu cravo...
Ainda aturei um mês de dezembro inteiro como Tieta preparando sua vingança contra o povo ingrato de Santana do Agreste e Mangue Seco por conta do Natal, da família, do aniversário do coronel e do Réveillon...
Finalmente chegou o dia dos Santos Reis, hora de guardar o presépio e os enfeites natalinos, hora de acabar o namoro. O plano era simples, ligar e acabar tudo pelo telefone, o coronel era violento e eu não podia deixar ele me tocar mais...
Deixei Gabriela fugir com seu cravo e sua canela, tomei uma gostosa cerveja como Tieta e ligue para o coronel, assumi a culpa que não tinha, ouvi suas críticas, suas ofensas, ri e dei meu veredicto...
Eu era a ré, a vítima, a advogada, a promotora e a juíza. Não me traia mais:
 “Revi meu próprio percurso
Me perdi no leste
E alma renasceu
Com flores de algodão
No coração do agreste
No afã de ir e vir
Ah! Fiz de uma saudade
A felicidade pra voltar...”
... A rir
                      Jorge Barboza

Escritor e Colunista Social

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Biscoito ou bolacha

Quando eu era criança sempre entendi que biscoito se refere a todo tipo de bolacha salgada: água e sal; cream cracker, biscoito de polvilho...
Consequentemente, bolacha se refere a toda espécie de biscoito doce: amanteigados, champanhe, cookies, maisena, mantecal, sequilhos, rosquinha de pinga, sequilhos...
Outro fato interessante sobre biscoitos de minha infância e que eu adorava separar os quebrados dos inteiros e, assim, começar a comer primeiro os quebrados. Depois, em poucos casos, quebrava os biscoitos, pois ele eram pequenos de sabor queijo da marca Seven Boys chamados de salgadinhos.
Entretanto, porém, contudo o dicionário afirma que “um alimento feito de farináceo com leite ou água, açúcar ou sal, podendo conter outros ingredientes, e assados em pequenas porções de diversos formatos chama-se biscoito”, e “o biscoito de farinha de trigo ou maisena, doce ou salgado, trata-se de bolacha”.
E estranho escrever ou falar sobre isso, pois com o passar dos anos muitas coisas mudam e outras não, é o caso, por exemplo, do computador que a partir da década de 90 saiu do oculto quartel general, para ganhar empresas, escolas e lares substituindo a máquina de datilografia e com crescente sucesso sobre o ainda usado aparelho de fax, utilizado ainda em doses homeopáticas por instituições bancárias ou de variadas economias em algumas situações extraordinárias...
O que eu tenho certeza com isso tudo e que os clássicos cadernos de receitas já estão saindo de moda por consultas à sites especializados em comida à cores e ao vivo sem distinção, mas nada substitui tão bem um pão com manteiga no café da manhã como o biscoito e a bolacha, nem um bolo de chá da tarde como a bolacha e o biscoito de ontem e de hoje...


           
            Jorge Barboza
Escritor e Colunista Social

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Sete dias de Férias

Acredito que toda esposa, toda professora, toda mulher, toda pessoa precise de sete dias de férias interruptas por ano. Entendendo que férias é o direito de acordar tarde sem se preocupar com refeições, como café da manhã e o almoço, sem o dever de afazeres domésticos, como roupas e louças lavadas, e também sem se perturbar com despesas semanais, como compras de alimentos, pagamento de contas e produtos de limpeza...
 Muitas vezes cabem as mulheres esses por maiores, pois não se tratam de simples tarefas caseiras ou mazelas humanas.
Acredito que Deus tenha levado mais de sete dias pra criar o mundo e, consequentemente, mais sete dias para descansar. Na verdade, Deus não é mulher nem homem, mas onipotente, onipresente e onisciente. Sendo assim, porém, com tudo e ainda mais Ele nunca parou de trabalhar desde criou os homens independentes de suas raças, suas convecções politicas, seus credos religiosos e seus ideais culturais...
Por favor, não entendam meus argumentos como um pedido de reforma nas férias trabalhistas. Certos direitos não podem ser tirados de todos trabalhadores como uma afirmação que podemos trabalhar incansavelmente neste mundo sem descanso, com mazelas e sem remuneração adequadas. Com fraldas, bonés com garrafas de água embutidas, pote de ração na mesa para casos extremos e descanso na morte ou passagem final desta vida...
Realmente acredito que trinta dias é pouco para se renovar as energias e o equilíbrio quando se têm que cuidar de uma casa inteira com marido, filhos, bichos, contas... Escrever é uma arte e precisa de cuidado, como as férias que mal usadas trazem gastos e muito desassossego...
O desafio é ter sete dos trinta dias de férias interruptos com contas e afazeres de qualquer espécie.



           
            Jorge Barboza

Escritor e Colunista Social

terça-feira, 20 de junho de 2017

Inconveniente

Quando começo o programa da rádio já deixo as regras claras, as perguntas são recebidas in box a partir das quartas-feiras,podendo durante o programa haver transbordo ou fila enorme que impedi-nos de aceitar novas perguntas ao vivo.
Outra regra básica é não solicitamos dados pessoais como data de nascimento ou nome completo. Proibimos as perguntas em nome de terceiros e mais de uma pergunta por noite.
Já desisti de escrever que as questões devem ser claras, objetivas, curtas, sem rodeios e rápidas. E também desisti de falar que não precisa agradecer na hora, pois acabando gerando telas extras e desnecessárias de bate-papo em meu facebook, enquanto anoto e organiza a fila.
Outra regra essencial é informar o local de onde se envia a pergunta (cidade, estado ou país) e, principalmente qual o pseudônimo anunciar nos casos que a pessoa não quer se identificada durante a gravação.
Rigorosamente e condizente com as regras gerais recentemente me agarrei no ódio que nada nem ninguém podiam trazer sossego, repetidas vezes disse não, aquela sujeita que insistia nos últimos quinze minutos da prorrogação exigir uma reposta para terceiros, e acabou passando por cima de mim como se uma força maior fosse poupa-la, mandou seu marido entregar um bilhete ao vidente, que por práxis pediu que eu resolvesse.
Por uns instantes meu perigoso lado branco espalhou por mim o fel nas veias, brio nos olhos ardentes, os lábios secos tremendo, a cabeça zunindo com palavrões e xingamentos ressoando...
Queria rasgar o papel, colocar fogo no estúdio e por fim ao que não tinha que ter chegado ali ao paranormal na entrevista que me concedia na rádio, mas por equilíbrio destinei à pergunta ao último lugar da fila: sem força, sem desejo, sem vontade e sem pensar.
Fazer a pergunta foi um golpe de misericórdia, antes de reler as palavras do bate-papo da inconveniente, da insurgente e da divergente. Seus motivos e por menores não me afetavam e não continham palavras mágicas como: por favor, por gentileza e por obsequio...
Para variar tratavam de uma longa história com rodeios, sem clareza, sem lógica, longa por demais, sem objetividade... Infelizmente, as pessoas não sabem esperar e tem a ousadia de dizer que “as perguntas alheias são banais”, para que sua urgência não seja qualificada para os camarins, as coxias, os bastidores e os particulares.
Devia ter deixado para o depois do programa e assim dar toda atenção do paranormal e até mais recursos, mas ainda o diabinho me provou...
Alguém me disse uma vez que meu silêncio é o pior castigo que posso dar as pessoas, pois se ainda estou discutindo com alguém e por que ainda me importo com a pessoa de alguma forma...
Depois de tudo terminado, a deslegante dona da rádio saiu com seu carro e me deu o prazer de excluir sua existência dos meus sistemas... Não posso mudar o que houve e não quero, mas posso fazer diferente e em outro lugar.



Jorge Barboza
Escritor e Colunista Social

sábado, 10 de junho de 2017

Quando tudo der errado leia José Eduardo Agualusa

Tenho medo de ligar o rádio, como quem entra no metrô à hora de rush e de pico, e de que por descaso ou por maledicência alguém me pise a inteligência: “foi sem querer, desculpe-me”. Ligo o som, escondido no meu canto, encolhido como quem nem está ali, mas se por acaso os meus ouvidos tropeçam em alguma voz agressiva, desligo logo.
A seguir fecho os olhos e sonho um equino. Foi um velho capataz angolano quem me ensinou isto. Eu estava sentado nas areias de Luanda, com um caderno nos joelhos, concluindo contos. Ele veio por trás e ficou um momento observando:
- Por que faz isso? – perguntou. – A história não cabe aí!
Sentou-se ao meu lado. Disse-me que às vezes, ao dormir, lhe doía, do lado direito da cabeça, a lógica. Caminhava então até à praia, estendia-se de costas na areia, e sonhava um equino.
- Foi José Eduardo Agualusa, sabe? Ele me introduziu.
Nessa altura não compreendia quem o capataz se referia. Começou por sonhar pequenos potrinhos, muito rudimentares, só um veloz traço de castanho, só um ligeiro arco correndo no ar, mas com o tempo, à medida que desenvolvia a técnica, passou a sonhar jumentos, burros, inclusive pôneis. A ambição dele era sonhar um cavalo árabe preto.
            - Esteja atento à cor dos campos – preveniu-me. - Por exemplo, de manhã, bem cedinho, se o campo estiver liso e dourado, é bom para sonhar um pônei. O puro sangue inglês, que é um cavalo famoso pelas corridas, grande, se sonha muito bem depois que chove, e a lama anoitece a terra. Já os quartos de milha são melhor sonhados quando o vento é forte como os saltos destes belíssimos equinos.
E os centauros? Ele olhou-me atônito:
            - Centauros? Servem para alguma coisa? Centauros são animais mal sonhados, como os monotrêmatos (equidna e ornitorrinco), os pégasos ou os unicórnios. Você pode conseguir fazer bichos melhores.
Venho tentando. Nunca soube o nome do velho. Era um sujeito mediano, tranquilo como uma floresta, de olhos calmos e uma pele reluzente e clara, esticada bem sobre os ossos. Tinha uma voz tão aconchegante que, à manhã, enquanto falava, soava como brisa marinha. Uma voz daquelas devia poder transmitir-se em canções. A mim fazia-me lembrar a de Djavan.
Dizia-se naquela cidade que o capataz estivera duas semanas perdido no deserto. Salvara-se por milagre, porque ao sétimo dia São Jorge lhe apareceu nas dunas, trazendo nas mãos um frango assado e dois litros de guaraná. Ele próprio me desmentiu o milagre, até um pouco irritado:
- São Jorge?! Santo, rapaz? Quem me apareceu foi José Eduardo Agualusa.
Em todas as histórias de viajantes há sempre exageros, por vezes até mentiras inaceitáveis, ou não seriam mirabolantes. Neste momento, porém, sou ateu – uso esta palavra pela primeira vez na vida; não veem que brilha? – ele lia! Era um grande devoto de José Eduardo Agualusa e Ondjaki. Contou-me que José apareceu-lhe de tarde, trazendo nas mãos o Manual Prático de Levitação, e lhe leu o livro inteiro.
Logo depois que o achou mais recomposto, ensinou-o a sonhar equinos.
- Sonhar cavalos faz bem à alma. Lembre-se que por cada homem mau no mundo há no continente mil cavalos bons.
O meu capataz não tinha rádio. Às vezes acontecia demorar-se numa padaria, ou no boteco (havia um rádio na padaria), e o ecos das guerras alheias roubava-lhe a paz. Ele sofria com as guerras alheias. Andava pela cidade com o livro “Vendedor de Passados” debaixo do braço, tentando, sem sucesso, converter os demais. Só eu lhe dava atenção:
- Quando tudo der errado leia José Eduardo Agualusa.
Uma noite vi-o sonhar um cavalo mustang preto.
- Foi o meu primeiro grande equino – disse-me depois, exausto pelo esforço, para a semana vou tentar um quarto de milha.
Nunca mais voltei a Luanda, nunca mais o vi, mas calculo que por esta altura ele já tenha conseguido sonhar o seu Cavalo Árabe Negro. Já o deve ter lançado aos montes, estradas, campos verdes de puro sonho, e a corrida dele há de estar ressoando num ritmado trote. Um dia os cavalos virão para salvar os homens sem sono e sem sonhos.


           
            Jorge Barboza

Escritor e Colunista Social

sábado, 20 de maio de 2017

Mulher

E tão difícil escrever o que não foi dito sobre mulher.

“Uma mulher (do latim  muliere) é um ser humano adulto do sexo feminino e/ou do gênero feminino. Na infância, normalmente é denominada em português como 'menina' e, na adolescência como 'moça'. Correspondem a aproximadamente 49,5% da população humana mundial. O termo ’mulher’ é usado para indicar tanto distinções sexuais biológicas quanto distinções socioculturais”.

Mais difícil ainda é acreditar que o homem foi criado antes dela.
Gosto do simbolismo que a mulher foi criada da costela, pois não é superior com Athena que nasceu inteira e completa da cabeça de Zeus (sabedoria). E ainda, a mulher não é inferior, porque não nasceu dos pés devendo ser emasculada. Ela foi criada da costela, para acompanha o homem lado a lado.

"Uma deusa, uma louca, uma feiticeira [...] Meu Deus, ela é demais".



quarta-feira, 10 de maio de 2017

Do meu lado

Quando eu era criança, a minha mãe me colocou para dormir e na noite seguinte tinha um policial do lado de fora de meu quarto. Ele disse que ela tinha ido viajar, pra bem longe e nunca mais ela ia voltar.
Se mamãe nunca mais ia voltar, nunca mais ia vê-la, o que eu devia fazer?
O que o policial não sabia e ninguém mais sabia e que só eu podia vê-la...
Quando eu fecho os olhos me entrego aos meus sentidos, aos meus outros sentidos.
A alma toca a alma por caminhos que só coração sabe.

Era só eu fechar os olhos. Todas as vezes que eu fecho os olhos, eu a vejo, eu sinto seu cheiro, seu perfume, seu calor, seu carinho, seu amor, sua dedicação, suas palavras, suas canções... E só eu dormir e ela está do meu lado como antes daquela noite, antes do policial, antes da viagem bem longe do qual ninguém volta.




           
            Jorge Barboza
Escritor e Colunista Social


quinta-feira, 20 de abril de 2017

Legais

Poucos relatam a alegria que é conviver com pessoas otimistas e positivas – verdadeiros animadores da vida que mudam o negativismo alheio.
Esses indivíduos adoráveis podem ser próximos, muito próximos como: vizinhos zelosos, cunhados cuidadosos, colegas de trabalho esmerados, etc.
O que fazer para manter estas pessoas tão construtivas e tão criativas?
Se ainda não solicitou amizade de todas as pessoas que parecem ter um prazer divertido em fazer você se sentir “o melhor do mundo”: adicione no Facebook, coloque entre os favoritos da sua lista de emails e de telefones.
Investir o máximo de tempo e de energia nas situações em que o contato é permitido.
Diminuir a distância física e psicológica dos legais: se for o caso, buscar manter um relacionamento informal por toda parte que encontra-los.
Saber se colocar como um personagem da situação: agir como um pesquisador da natureza humana e aproveitar para aprender muito mais sobre a motivação das pessoas.
Aderir á todas as coisas agradáveis que elas dizem: replicar suas frases, divulgar suas ideias e aprender a ser esta fonte de alegria que todos querem beber e multiplicar...
Buscar enxergar o lado engraçado da situação: dar risadas e buscar a felicidade acima de todas as circunstancias.
Entrar na mesma “vibe positiva” (como dizem meus amigos) – procurar ser cada vez mais gentil e agradável com realmente interessa.
Ter a certeza de que estas pessoas são profundamente felizes e que vale a pena imita-los e mudar conscientemente do lado delas e com elas.






Jorge Barboza
Escritor e Colunista Social

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sempre Jovem

Certo dia, um professor tirou o palito para ser sempre jovem. Decidiu parar ter medo e ter consciência do mundo apesar da passagem do tic tac frenético do relógio marcando: minutos, horas, dias,  meses, anos...
Diante de uma piscina aos cinquenta e três anos, ele não acreditava que devia fazer testes: medir a temperatura da água com um dedo, calcular a profundidade da piscina entrando aos poucos e segurando notavelmente a escada da piscina, pensar se ia passar mal ou outras coisas de gente mais velha, muito velha, idosa, melhor pior idade... Sem pestanejar mergulhava rápido sem medir as consequências e afundando nas águas de uma só vez como fazia aos quinze anos.
Sua consciência não o tornava mais covarde, ao contrário de seus velhos amigos, ele viajava sem reservas de hotel e sem “just in case” de remédios, carrega uma pequena mochila: sem guarda-chuva, sem óculos extras, sem casaco, sem lenço, sem papel higiênico de emergência...
O professor sempre jovem não acreditava que a chuva era para ele, que a garoa naquele momento cairia somente nele, ele se escondia como criança pela rua, afinal de contas carregar guarda-chuva é coisa de gente velhíssima e “a consciência nos torna covarde”.
A ignorância é uma benção, pois ter consciência é assumir que a vida tem riscos, ou seja, quanto mais se sabe do mundo menos se faz, menos se comemora...
No dia 31 de dezembro, o professor sempre jovem gritava feliz ano novo e vibrava com a expectativa de novos tempos, a festa não será menor porque lá vem um ano velho, um ano próximo da morte, um ano com menos amigos pela distancia ou pelo simples ato de não acordar...
Ser jovem é viver bem e ser velho é esmorecer...



Jorge Barboza

Escritor e Colunista Social

segunda-feira, 20 de março de 2017

Detetive

Será que tudo vai dar certo ou será um prelúdio?
Revisou suas memórias como se revira as gavetas da cômoda ou as partes do guarda-roupas, foi tirando: velhos joguetes, fotos novas, textos gastos, palavras não usuais, números esquecidos da agenda telefônica...
Não encontrou o que queria, o suor corria fortemente, espontaneamente os olhos ardiam, as mão tremiam um quase descontrole, o coração estava descompassado...
Ele começa a refletir sobre o passado profundo, escuro e úmido. Uma tela se projetava no cérebro com nuvens espessas, uma neblina forte, firme e intensa cercava tudo soltando cochichos, sons inaudíveis, sons adiados, dores curtas com agulhas...
Algo menos veloz tinha sido acionado na alma como uma alavanca de máquina caça-níqueis: esperar era saber sua verdade.
A verdade por mais dolosa, pois não tinha intenção de matar seu procurador, era muitas vezes uma condição do ser detetive atrás de: informações constantes, ultrajes, notícias de parentes longínquos, velhos amigos, novos empregos, boas namoradas, inevitáveis cobranças, pequenos empréstimos, inevitáveis cobranças, constrangimentos, deliciosas ajudas, prazeres fugazes, folhas caídas, flores colhidas, cheirosas frutas, doces venenos, sábias armadilhas, terríveis promessas, descasos, encontros, poucos ganhos, muitos gastos...
Enfim o sol surgiu na mente do detetive, iluminando tudo e mostrando um baú anônimo.
Na mão esquerda havia uma chave com o nome Pandora. A chama dada ao homem do mito por Prometeu se apagará e um enjoo forte fez a cabeça do detetive doer intensamente e intencionalmente como se algo agora pudesse fugir do controle na mente vazia.
O baú tinha seu cadeado aberto e sua chave caiu em ponto do cérebro, desapareceu completamente, enquanto a luz vacilava com as dúvidas sobre a verdade...
Uma chuva fina que se insinuava a noite toda começou redobrar-lhes a consciência, foi necessário um piscar de olhos e tudo foi deixado no lugar no labirinto íntimo, a mente está organizada por hora. A lógica resolver os fatos apesar da verdade parecer uma coisa conhecida pelo procurador: o detetive tinha que seguir as circunstâncias, analisar os fatos e denunciar seu passado e seguir em frente para concluir sua verdade antes que alguém não o redimindo o fizesse.

Jorge Barboza

Escritor e Colunista Social

sexta-feira, 10 de março de 2017

Monóculos

Recentemente tomando café da tarde com minha amiga Nana, depois de um delicioso churrasco gaúcho, tradicional em sua casa, surgiu sua pequerrucha com vocábulos divertidos: “Molango”!
Eu não sei por que surgiu o papo do monóculos, acho que a pequena com seus cabelos dourados se atrapalhou falando da mana, com a mana ou para mana. E para brincar com ela falei o seguinte: “Quando se tem um olho se usa um monóculos, quando se têm dois olhos se usa um binóculos, quando se têm três olhos se usa trinóculos, quando se têm quatro olhos se usa um quadronóculos, e quando se têm cinco olhos se usa um pentanóculos”.
– É de molango? – perguntou à pequena.
Nessa linha de raciocínio que todos riam, surgiu-me uma questão profunda sobre os inimigos do homem aranha: “Porque octopolus não era chamado de lula ou polvo”?
– É Octopus – corrigiu-me Nana sorridente.
– Essas palavras que vem do francês sempre me trazem confusão, têm coisas que não saem direito da boca da gente – inteirei fazendo gracinha.
Depois disso veio à história da framboesa que é um tipo de amora. Goiaba, pitanga e por fim o picolé de picanha.
A pequerrucha não sabia o que era uma pitanga e, consequentemente, sua cor. Lembrei-me de minha infância, onde na casa de minha vizinha colhia dessas frutinhas vermelhas doces como mel. Alguns anos depois aprendi que subindo em direção à Bahia passando por Minas Gerais, existem pitangas nas cores amarelas e roxas.
Recentemente nas ruas de Santo André tenho encontrado muitas pitangas vermelhas azedas como acerolas, ainda lembro como as frutinhas eram na minha infância também, as coisas mudam, mas as memórias não.


           
            Jorge Barboza

Escritor e Colunista Social

sexta-feira, 3 de março de 2017

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A árvore que florescia no Carnaval

          Eram romper os tambores no Sambódromo do Anhembi que a bela rosa ipê florescia, caia de seus galhos todas as folhas e nasciam flores. Diferente das árvores de sua espécie que florescem no fim do inverno, entre os meses de julho e agosto.
Sua madeira dura e resistente é símbolo do Brasil e do bairro que mora, pois cresceu devagar até seus oito metros de altura. Sortuda nunca foi escolhida para construção civil e naval: assoalhos, eixos de rodas, peças de marcenaria, vigas...
Provavelmente, a bela rosa ipê foi abençoada por “um anjo torto desses que vive nas sombras disse”: madeira de qualidade, árvore de casca dura, suas flores serão lindas, de geração a geração de paulistanos, pois embeleza as ruas de coração e protege os amantes do sol, da chuva, do vento e da lua. Não evita novos rebentos de novembro, mas colori de rosa os menos afoitos e depravados. “Se nossas linhas não fossem tão tortas não teriam se cruzado”.
Chegando a quarta de cinzas, o ipê cantava triste e baixo:
“Adeus, adeus
Meu pandeiro do samba
Tamborim de Samba
Já é de madrugada

Vou-me embora chorando
Com meu coração sorrindo” [...]

A bela rosa ipê deixava assim cair suas flores para uma vizinha aparecer em roxo: a quaresmeira.
Sonharia com o próximo Carnaval por meses frios e quentes, quinzenas úmidas e secas, dias cheirosos e fedidos, criando novas folhas e quase sumindo entre carros e arranha-céus, junto no seu pano de guardar confetes as mais belas formas rosas de flores, pois esta planta fêmea de ipê não morria durante o ano, cantava com calma sua sina:
“Não deixe o samba morrer
            Não deixa o samba se acabar
            O morro foi feito de samba
            De samba pra gente sambar

            Quando eu não puder mais entrar na avenida
            Quando as minhas pernas não puderem aguentar
            Levar meu corpo, junto com meu samba” [...]

E como sempre, diferentes de outras plantas de sua espécie, florescia rosada durante os primeiros aplausos do desfile da primeira escola de samba de São Paulo no Sambódromo, deliciando-se por mais quatro noites apaixonantes...

Jorge Barboza
Escritor e Colunista Social

domingo, 19 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

O Pires

Era uma vez uma Maria Gato grávida de seu terceiro filho, morena clara, sorriso singelo, corpo cansado, morava em um barraco colorido no alto morro. Um lugar de vista privilegiada, onde a natureza deixava cantar os sábias e as plantas crescer largamente...
Um domingo, Dona Gato ganhou uma rosa branca de uma vizinha, como tudo que ganhava cuidou com carinho e plantou do lado direito da porta do barraco.
Esqueci de falar, Maria estava com a grana curta, o estrito para o necessário, ela tinha um desejo enorme de tomar leite em um pires, saliva só em imaginar o leite caindo delicadamente na louça pequena em forma de prato pequenino... Sonhava com isso e às vezes, só às vezes, ficava triste, não tinha dinheiro para um pequeno luxo, a maioria das coisas do barraco precisava de consertos, de reparos, de remendos, de troca por novo... Nesse tempo peças avulsas eram caríssimas e ainda não haviam as lojas de um real ou coreanos como hoje em lojinhas em cada esquina, bairro, rua...
No dia seguinte, uma segunda-feira, apareceu uma doce velhinha na porta de Maria Gato e ela desejava uma muda da rosa. A rosa branca virou uma trocha enorme de flores da noite para o dia e sem pestanejar a gentil grávida cortou um galho da roseira e deu pra velhinha doce que agradecida tirou de um bolso do casaco marrom um pires e começou sua história:
- Quando eu era moça, muito moça, eu não era muito bandoleira, casei com “um deus que se deseja e se teme ao mesmo tempo”, fui fiel e ele foi fiel comigo. Todo dia 12 de cada mês comemorávamos nosso amor e nossa paixão com um jantar à luz de velas e uma rosa branca no centro da mesa, tivemos dez filhos, vinte e quatro netos entre tantos outros bisnetos e até tataranetos... Mas recentemente ele ficou doente, morreu, assim a aprendi a ficar só, ou quase, aprendi a tricotar, costurar e procurar uma rosa branca para substituir a xícara que quebrou com meu amor, meu eterno marido, presente de meu casamento com mais de cinquenta anos, prova que o amor resiste ao tempo de “um deus que se deseja e se teme ao mesmo tempo”.
Depois da história, Dona Gato matou seu desejo por leite em um pires e a doce velhinha voltou a sorrir...

Jorge Barboza

Colunista Social. Escritor. Revisor.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Vânia

Entre vinis de rock, pôsteres e livros conheci certa vez uma escritora.
Quando saiu da sala de aula, aulas de física, de Química, de Matemática, sua lógica perguntou ao canto esquerdo do peito: é agora?
A poesia estava na biblioteca, a prosa também, enciclopédias, dicionários, contos de fadas, romances...
Alguns disseram: “Li Vânia e ela está desesperada”.
Outros escreveram: “Agora seu pássaro roxo na cabeça vai voar, voar, longe voar”.
De certo modo, Vânia teve um nó na garganta, aquela secura na boca, um montão de sensações de medo e de ansiedade... Começar de novo era um desafio já esquecido.
Talvez se ela tivesse sido lançada no espaço, em um deserto, inventaria mil maneiras de passar o tempo...
Organizou-se em muitos braços como uma mãe que deve cuidar de dez filhos, revirou as prateleiras, colocou ordem nas biografias, arrumou as mesas e as cadeiras, pintou a porta, redesenhou sua história e criou uma sala aconchegante de leitura.
O medo sumiu e a ansiedade casou com a percepção ou com a expectativa.
A biblioteca ganhou nova zeladora, uma autora que ouvia o melhor do rock, uma guardiã com duas mechas roxas de cabelos curtos e ideias claras, criativas e inovadoras.
Às vezes se entende um som meio rock roll, mas não se entende seus fãs...
O fã não precisa ser um exímio estudioso nem formado. Fã é fã e ponto. A autora só voltava depois das dezoito horas. E não era na galeria do rock...

Jorge Barboza

Colunista Social. Escritor. Revisor.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Tânia

Muitas amizades veem e vão como as chuvas de verão... Tânia, não é um nome comum, mas é bem comum a energia que ela me passe à força e a energia para minha humilde vida.
Com certeza sua separação foi um grito de amor próprio. Os filhos não se assustaram, deram-lhe um par de chifres de búfalo, um chicote e uma tempestade...
Às vezes você precisa derramar tudo com muita chuva, muito vento, muito raio, muito relâmpago, muito trovão, muito ódio, tirar de dentro de você com tanta força que você volta aos bons tempos, ao equilíbrio roubado...
A guerreira levanta sua espada, primeiro por amor e, depois, por sua ideia.
Ela sofre: se corta; se rasga; se limpa; se lava; se purifica; se costura; se perdoa; se remenda; se repara...
A dor passa e a paixão acaba: Tânia guardou seus símbolos, ela guardou seus segredos...
A guerreira não se escondeu nos bambuzais nem usou a palha como abrigo. Tânia começou de novo sem jeito, sem queimar: as roupas, as fotos, a casa...
Ela começaria quantas vezes fossem necessárias, pois as guerreiras são universos em criação e em recriação constante...

Jorge Barboza

Colunista Social. Escritor. Revisor.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Novo livro de Jorge Barboza: Jesus e Madalena

"Os olhos são as janelas da alma, não há palavras que descrevam a realização de desejos e num piscar de olhos... seguiu suas vontades, seus instintos, pensou, sonhou e criou de uma só vez seus quatro filhos: três guerreiros e uma guerreira".

Não há dúvida que Jesus na bíblia libertou Madalena e ela por sua vontade acompanhou Maria, Mãe de Jesus, quando ele foi crucificado. E que Madalena foi a primeira pessoa a quem Jesus apareceu depois de sua ressurreição. Mas a estória que se conta neste livro acontece aproximadamente 1950 anos depois, num país chamado Brasil. Não é conflito de evangelhos. O que foi escrito é alheio a qualquer implicação sexual. Acreditem é normal de tempos em tempos surgirem invencionices sobre Jesus e Madalena de teor religioso, o que o autor escreve aqui por meio de contos é literário, não tem comprometimento com a verdade e qualquer semelhança com a vida é a arte imitando a realidade.

"O temor assaltou Herodes, em pé, de seu lado direito o anjo disse-lhe: tua cozinheira dar-te-á um filho. Ele será motivo de muita alegria... Logo o coronel percebeu e tratou de resolver tudo".
"Finalmente entrou Joana Darque já reclamando:
– Não sei de onde o senhor tira estas ideias esdrúxulas...
– Bom dia Joaninha! – em tom provocador disse Madalena.
– Com certeza foi outra exigência louca de Madaleninha – respondeu ríspida Joana.
– Se você está se referindo ao professor de equitação, acredito que Madalena me convenceu facilmente – sorridente afirmou o coronel – acredito que montar um cavalo é uma arte e por que não se valer de um especialista?
– De novo o senhor gasta meu tempo e seu dinheiro com os caprichosos de Madame Lena – ironicamente fala Joana picando o pão".